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Insetos

Os insetos são animais invertebrados e fazem parte da classe insecta. Sugiram há milhões de anos. Cientistas afirmam que os primeiros surgiram há cerca de 500 milhões de anos. Atualmente, existem milhares de espécies e, entre elas, podemos destacar: borboletas, moscas, traças, abelhas, vespas, besouros, formigas e muitas outras. Existe uma ciência que estuda os insetos e o nome dela é entomologia. A palavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar “estudo dos insetos”. Éntomom significa inseto e é derivado do radical entomos, que significa cortado, dividido. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos anéis ou segmentos. Daí, para aprofundar no assunto, você poderá clicar na wikipédia ou colocar a palavra no google (como eu fiz)…

Meu assunto aqui é o que estes bichinhos tem a ver com a arte contemporânea!?

Este ano, propriamente dito e quase findo, houveram duas situações que me fizeram refletir à respeito deste ser vivo. A primeira foi a obra do artista goiano, Siron Franco “O desaparecimento das abelhas” (2014), cujo tema já abordei aqui no blog alguns meses atrás. A efêmera intervenção consistia em adesivar muitas imagens de abelhas na fachada do Instituto Rizzo, localizado no Setor Sul, bairro de Goiânia. A idéia era conscientizar o espectador sobre o efeito devastador da falta que estes bichinhos fariam ao nosso ecossistema caso sumissem geral. Infelizmente o resultado estético da obra não foi lá tão bem vindo à uma parcela da população goianiense, no entanto seu discurso sensibilizou uma outra parte dela à uma reflexão sobre o assunto.

Bem diferente do suporte artístico e do efeito estético da obra de Siron, a fotografia “Dengue” (2010), de Wildes Barbosa, na atual mostra Fato Popular, Olhar Incomum vem registrar um momento carregado de poesia. Aos olhos do curador da mostra, Rafael Castanheira a foto “aborda a questão da dengue de forma alegórica, já a mão humana é historicamente responsável por uma série de problemas sociais e, neste caso não foi diferente.  A imagem, a meu ver, sugere, o homem soltando/produzindo/fazendo proliferar este mosquito.”

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De abelhas à mosquitos da dengue estes pequenos insetinhos desaparecem ou se multiplicam por algum desequilíbrio da natureza, mas e, principalmente da natureza humana! Há de se refletir e também aproveitar estes últimos dias restantes do ano de 2014 para fazermos um balanço ecológico do planeta.

Estiagens, enchentes, epidemias, ebola, estórias mal contadas…

De ciclos em ciclos, anos em anos, que vem e vão, alguns de nós, ainda sim saímos no lucro!

Estamos vivos!

Feliz 2015!

MAM/RJ e Amilcar

O Museu de Arte Moderna do Rio abriu, no dia 26 de novembro, a mostra Amílcar de Castro, com curadoria de ninguém menos que Paulo Sérgio Duarte. A mostra que fica até dia 8 e fevereiro é uma retrospectiva e traz alguns trabalhos de aço em grandes dimensões, além de obras produzidas com outros materiais, como madeira e mármore.

No ano passado escrevi, para Coluna Art Et Cetera da Revista Di Casa, sobre minha experiência com este gigante da arte brasileira. Pra quem não leu, segue o texto aqui no blog e para quem não conhece Amílcar de Castro, tá aí uma ótima oportunidade de interação com um dos mestres da escultura brasileira e percursor dum dos movimentos artísticos mais importantes do país, o Movimento Neoconcreto.

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Uma breve resenha ao gigante do aço mineiro

Há algum tempo ensaio resenhas sobre este gigante da arte e do design brasileiro, mas ainda não ocorrera devida oportunidade para apresentá-las. Agora, escrevendo para a Di Casa que é uma revista de design e decoração penso que é chegada a hora.

Mineiro, amante das artes, discípulo de mestres como Guignard e Franz Weissmann, Amilcar de Castro trilhou seu caminho com linhas, retas, cortes e dobras. Reinventou o design gráfico, estruturou a escultura a partir do plano bidimensional e brincou de “samurai” com o metal e com o pincel.

Nascido em Paraisópolis, em 1920, se muda para Belo Horizonte, aos 14 anos. Cursa Direito e advoga durante um curto período, pois recebe convites para trabalhar como diagramador. Afia seus conhecimentos em 1951, após conhecer um ícone da arte concreta, o suíço Max Bill, premiado na Iª Bienal Internacional de São Paulo pela escultura Unidade Tripartida. A partir daí, insere o princípio da Tabela de Fibomacci para fundamentar sua diagramação e coloca em prática a reforma gráfica nos principais periódicos do país, desde 1957.

No ano de 1959, assina com demais companheiros o Manifesto Neoconcreto escrito por Ferreira Gullar, cujas teorias se encaixariam perfeitamente ao seu estilo de trabalho e pesquisa artística. Enriquece seu conhecimento numa longa temporada no exterior retornando ao Brasil na década de 1970 onde confirma sua grande paixão e orgulho ao barroco mineiro. Digo isso porque o conheci em seu atelier, no centro de Belo Horizonte, em 1997.

Foi no mesmo ano em que terminei um dos meus cursos de ourivesaria, em 2000, a Galeria Kolams lança a coleção de jóias do artista eternizando em ouro, a nobreza de tamanho talento. Em 2003, um ano após sua morte, volto ao seu atelier na companhia de minha mãe, agora em Nova Lima. Projetado pelo arquiteto Allen Roscoe, a grande galeria de vidro, suspensa pela belíssima serra mineira abrigava dezenas de protótipos de esculturas além de um majestoso fogão à lenha típico da cultura caipira.

Em 2004, a Potrich Galeria realiza a mostra Corte, Dobra, Forma e Cor que traz à Goiânia desenhos, xilogravuras, pinturas e esculturas em pequenos formatos para seu acervo. No ano seguinte, a 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre lhe dedica uma sala especial se encarregando de despachar toneladas de esculturas de aço para mostra. Uma merecida homenagem ao maior escultor brasileiro da contemporaneidade. Meu mais recente contato com este Gigante do aço foi numa visita ao Instituto Inhotim, em 2011. Num passeio distraído pelo jardim projetado por Roberto Burle Marx me deparo com sua escultura chapada, cortada e dobrada representando o legítimo concretismo brasileiro.

As obras do artista estão hoje em importantes instituições e espaços públicos, assim como em coleções particulares e comercializadas por leilões e galerias de arte idôneas no mercado nacional e internacional.

À você Amilcar de Castro, dedico esta breve resenha!

Vínculos Culturais

Eu estava no primário quando conheci Rafael Castanheira.

Estudamos juntos no mesmo período, na mesma escola, na mesma sala. Com nossos sete ou oito anos lembro que dançamos quadrilha juntos e daí então nossos vínculos culturais se estabeleceram.

Durante a minha adolescência a Galeria atendeu uma cliente muito descolada, esbelta, ruivinha, sardenta que estava decorando seu apartamento. Ela nos solicitou algumas obras para demonstração. Chegando lá vi, nos portas retratos a fotografia de Rafael com a idade em que nos conhecemos. Bem, descobri que ela era a irmã dele e este foi um dos vínculos que foram se fortalecendo em nossa relação cultural.

Já na idade adulta, uma inesperada visita estava por acontecer. Rafael trazia entre os braços seu trabalho fotográfico, realizado durante um período de intercâmbio no exterior, de interessantes registros sobre cemitérios da Argentina, França e Brasil.

“A arquitetura e a simbologia presentes nos cemitérios provocam as mais diferentes sensações nas pessoas. Qual é a influência desta estética na subjetividade do imaginário humano? Na tentativa de instigar o espectador para um olhar menos dramático em relação à finitude, o fotógrafo exibe suas imagens e sua maneira de encarar a morte. Além disso, o ensaio busca mostrar os cemitérios não somente como moradia final para nossos restos mortais, mas também como um lugar de recordação, memória e paz que abriga um riquíssimo patrimônio artístico.”

Mas para estabelecer esta relação com mais vivacidade para mostra o apresentei à Maria Elízia Borges, que foi minha professora na Faculdade e também ministrou o mini-curso em Arte Funerária, no SBPC na UFG, em 2004, que participei. Maria Elízia é integrante da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC), cujo tema foi tese de seu doutorado. O terceiro encontro da Associação se deu em ritmo cultural com a coletiva para Estudos Cemiteriais, dos fotógrafos Rafael Castanheira e Samuel Vaz, na Galeria Potrich, em 2008.

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Rafael Castanheira, nesta época, era professor de fotografia na Universidade Salgado de Oliveira. Propus à ele uma experiência para estimular e incentivar seus alunos à profissão num registro das atrações do nosso Weekend Cultural, em 2009. Os alunos fotografaram as danças, performances, trabalhos artísticos e o artesanato exposto na feira cultural. Foi uma experiência construtiva para o coletivo e fortaleceu ainda mais nossos vínculos culturais.

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No ano passado, a mostra Pirarucu Z-32 foi o seu debut nas artes visuais. Pirarucu Z-32 foi o documentário produzido, durante mais de cinco anos (2006-2010) pelo fotógrafo sobre processos culturais e de conservação ambiental envolvidos no manejo de pesca do pirarucu e do tambaqui realizado pela Colônia de Pescadores Z-32 de Maraã, no Amazonas, área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. O evento contou ainda com uma mesa redonda no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e teve como objetivo reunir o fotógrafo, pescadores, pesquisadores e técnicos em pesca do Amazonas e de Goiás para discutir suas experiências e ações voltadas à conservação do pirarucu nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins e divulgar os resultados obtidos nestas duas regiões do País.

A exposição foi adquirida pelo Museu do Pará, em Belém e hoje o trabalho fotográfico de Rafael faz parte do acervo histórico dos registros culturais do país.

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Para não perder o ritmo Rafa faz a curadoria da mostra Fato Popular Olhar Incomum de três fotógrafos do Jornal O Popular: Renato Conde, Weimer Carvalho, Wildes Barbosa da Silva.

“Num momento de saturação visual em que não apenas o excesso, mas principalmente a homogeneidade das imagens diariamente produzidas e exibidas nos meios de comunicação reforçam antigos estereótipos e contribuem para distanciar, cada vez mais, o espectador da realidade, é preciso que o fotógrafo evite este espetáculo previsível que se tornou o fotojornalismo e busque novas visualidades que sensibilizem e provoquem reflexão no espectador”, observa Rafael Castanheira, que selecionou os trabalhos após um longo processo de pesquisa e análise das fotografias publicadas no jornal e presentes nos portfólios pessoais destes fotógrafos.

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A mostra acontece dia 11 de dezembro, às 20h, na Galeria Potrich.

Nem preciso ressaltar o quanto os vínculos culturais se estendem.

Cypriano e a Capoeira

 

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Mantendo o foco na fotografia, mas sem sair do tema da arte contemporânea brasileira, vos apresento André Cypriano.

Meu primeiro contado com seu trabalho foi através de um cartão postal, numa viagem ao Rio de Janeiro em 2010, desses distribuídos em instituições culturais, cujo intento era o convite para mostra fotográfica sobre capoeira. Infelizmente não pude comparecer ao imperdível evento, porém, em 2013 achei um tesouro numa livraria do shopping que trazia textos dos jornalistas Rodrigo de Almeida e Letícia Pimenta, com imagens arrepiantes de André Cypriano. O nome do livro? C A P O E I R A !
O fotógrafo nasceu em São Paulo,Brasil, estudou fotografia em São Francisco, EUA e tem um vasto currículo de premiações, workshops além de projetos sociais e culturais.
Cypriano imortalizou imagens da capoeira como poucos conseguiram, além de registrar famosas entidades, como Mestres, discípulos e diversas situações sociais donde a capoeira se apresenta. Neste post a homenagem se restringirá mais à capoeira, visto que há grandes possibilidades de seu tombamento como Patrimônio da Humanidade nesta próxima quarta-feira(26/11), pela UNESCO, em Genebra.
Mais que um reconhecimento, este seria um grande passo para a real valorização da cultura brasileira, pois um dos pedidos no dossiê trata da possibilidade de a capoeira se tornar disciplina obrigatória nas escolas e nos encontros de troca de conhecimento.

Capoeira por definição vem do tupi guarani, mato abandonado, ou ainda o cesto feito de taquara, ou os capões e galinha que nele estavam, ou ainda os escravos que carregavam os cestos. Também há uma curiosidade medonha, sendo o Brasil o último país a assinar a Abolição da Escravatura, ainda resistiram portos clandestinos de escravos, como o Porto de Galinhas, em Pernambuco, cuja senha era “as galinhas d’Angola chegaram”. Há ainda um pássaro denominado odontophorus capuera spix, catalogado pelo francês Martius Von Spix, na Missão Científica Francesa, em 1816 e é conhecido como uru.

As curiosidades não param por aí. Uma manifestação cultural inventada em solo brasileiro por africanos, proibida por uma “elite branca” e denominada com língua de origem indígen elegeu seu ícone maior, o berimbau ou urucongo. Nele está a vida e a magia da roda, o som do jogo.

No livro há uma bela e breve citação do dramaturgo Dias Gomes, que sintetiza essa fugacidade que Cypriano soube tão bem captar:

“É jogo, é bailado, é disputa – simbiose perfeita de força e ritmo, poesia e agilidade, única em que os movimentos são comandados pela música e pelo canto. A submissão da força ao ritmo. Da violência à melodia. A sublimação dos antagonismos. Na capoeira os contedores não são adversários, são camaradas. Procuram genialmente dar visão artística de um combate. Acima de um espírito de competição, há um sentido de beleza. Capoerista é um artista e um atleta, um jogador e um poeta.”

Precisa dizer mais alguma coisa?!

Mestre João Pequeno #01 - - Andre Cypriano - CAPOEIRA

Mestre João Pequeno

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um capoeirista, um artista

CAPOEIRA

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Capoeira na penitenciária, em Angra dos Reis

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Mestre Tabosa

Jóias da fotografia brasileira

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A imagem do adereço em ouro simulando uma samambaia, da segunda edição do concurso de jóias da AngloGold Auditions Brasil, foi a principal inspiração para o texto a seguir. Além de remeter ao primitivo, mas principalmente à beleza natural das coisas, a imagem foi um resgate à dois expoentes da fotografia brasileira. Após conviver mais de 10 anos no universo da capoeira e pesquisar a cultura africana e indígena, assim como ter visitado a mostra Nos Caminhos Afro, fotografias de Pierre Verger no MAC, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, mês passado, foi inevitável e irresistível não sentir a presença de dois grandes artistas brasileiros movidos à essência prima da nossa formação étnica e a tão conflituosa desigualdade social.

O baiano Mario Cravo Neto (1947-2009) e Miguel Rio Branco, nascido nas Ilhas Canárias em 1946 e residente no Rio de Janeiro, têm entre outras tantas coisas em comum, a fotografia como suporte artístico. Ambos são filhos e netos de importantes personalidades da história brasileira, como também desenvolveram projetos relacionados à curtas-metragens, instalações e vídeo instalações.

Mas suas coincidências não param por aí…

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          Mario Cravo Neto                                                                                                                                       Miguel Rio Branco

Elegeram por devoção o registro de malevolências benignas da sociedade brasileira, escurecendo e iluminando peculiaridades de uma nação simplista em sua complexidade, pacífica em sua selvageria  e ora atrativa ora repulsiva em sua sexualidade.

É certo que Mario Cravo Neto mergulhou no universo dos orixás e da cultura baiana, experimentado rituais dionisíacos e capturando a alma dos Deuses em seus cliques espontâneos.

Miguel Rio Branco também experimenta a metafísica. Vive e trabalha o paradoxo da dura realidade associada à leveza da estética reproduzida por suas lentes.

Deixo aqui o trecho de Mario Cravo Filho, do livro O tigre do Dahomey – A serpente de Whydah, que de certa forma sintetiza um pouco a produção destas jóias da fotografia brasileira:

“Bárbaros delicados, sádicos e ternos. Temos luz e trevas nas nossas almas, temos banda d’água no nosso corpo e alma. Somos tessálicos e telúricos, metade peixe metade ave. Em momentos somos levantados pelo devaneio da luxúria, noutros nos afogamos de piedade e complacência. Temos cabeça de Velho ancestral e olhos de criança intergaláctica. Aqui ruminamos uma culinária impossível, temos sofreguidão e o entusiasmo erótico duma glutonice desenfreada.”

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Mario Cravo Neto

Elevação Espiritual

Conheci a obra do italiano Guiseppe Penone em 2010, no Instituto Inhotim no período em que sua obra Elevazione acabara de ser instalada no parque. Elevazione [Elevação, 2001] pertence a uma etapa posterior de sua prática, na qual o artista tornara ainda mais complexo o diálogo com a natureza por meio do domínio de elaboradas técnicas de escultura, mas conservando a mesma dualidade entre o fenômeno artístico e o natural. A obra parte da modelagem e conseguinte fundição em bronze de uma castanheira centenária, à qual outras partes de árvores foram soldadas. A grande árvore de metal está presa ao chão por pés de aço e, plantadas ao seu lado, estão cinco outras árvores que, ao longo dos anos, irão crescer e se aproximar da escultura, como se a sustentassem e criassem um espaço arquitetônico para abrigá-la. Para a montagem em Inhotim, Penone optou por aumentar consideravelmente a distância da escultura do chão e por plantar cinco exemplares da espécie local de árvore Guaritá.

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A grandiosidade do trabalho do artista italiano, que iniciara na Arte Povera, nos fins  dos anos de 1960, só me tocou culturalmente quanto visitei a mostra CERRADO – uma janela para o planeta, no CCBB de Brasília, mês passado. Tanto a linguagem de Penone, quanto a mostra educativa sobre o Cerrado falavam da mesma coisa, da mesma idéia, do mesmo tema, numa mesma perspectiva crítica sobre a prioridade dos estudos e conhecimentos da natureza. Dividida em módulos, a cronologia, metodologia e as didáticas instalações nos transportavam numa viagem ao tempo, nos induzindo a ter de admitir que não sabemos nada, ou de grande parte do que significa este bioma.

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Na mesma medida o artista também incita o espectador a certos questionamentos. A natureza envolvida e viva como suporte de sua obra de arte. Lembrando que um dos principais preceitos da Arte Povera (1970) era o de romper com os processos industriais e revelar a sua critica ao empobrecimento de uma sociedade guiada pelo acumular de riquezas materiais. Depois de quase 50 anos a recíproca é verdadeira. Ainda vivemos à sombra do conhecimento sobre os benefícios das plantas, de suas características e utilidades. Sabemos onde mora a nossa celebridade preferida, mas não sabemos o nome científico da árvore do fruto que mais gostamos. Penso a arte como um termômetro da sociedade. Os artistas como o mercúrio que sobe e desce em escalas proporcionais à nossa enfermidade.

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Convém sempre fazer um check up, como nestes casos. Visitas constantes em instituições idôneas como a Bienal, o Inhotim, os CCBB’s, Museus de Arte Modernas e Contemporâneas são recursos inteligentes para quem quer sair dos casuais passeios à shoppings… Na minha opinião é como uma terapia, uma consulta médica e uma afronta ao caos da sociedade. Um desafio para um saber mais verdadeiro sobre nossa realidade. Doses homeopáticas de conhecimento humano! Mente sã, corpo sã!

Enfim, uma elevação espiritual!

A cama

É verdade que nos últimos cinco anos venho me deliciando com filmes de animação infantil, mas não é só porque meus filhos adoram, eu confesso: gosto e reflito muito sobre eles. Tanto pela desmistificação das princesas como no caso de “Enrolados”, “Frozen”, “Valente”, tanto pelo ponto de vista crítico e bem agressivo que o roteiro e os personagem tomam ao correr do filme. Me recordei recentemente de “A Origem dos Guardiões”, baseado no livro de William Joyce, onde o enredo trata de uma ‘liga da justiça’ de entidades, que de uma forma ou outra pertencem ao nosso universo como o Papai Noel, o Coelho da Páscoa, a Fada do Dente, o Sandy-Man, o Jack Frost e o Bicho-Papão! Bem, mas o que vem ao caso é uma cena específica do filme, onde uma voz do inconsciente chama o protagonista a investigar o seu misterioso passado. No entanto ele tem de entrar num buraco negro onde se encontra a carcaça de uma cama de madeira, que ele termina de quebrar, desobstruindo o estrado que ainda restava, com seu cajado mágico. Penetrando o buraco ele descobre o que não deveria e assim toma consciência de suas responsabilidades e atitudes.

De fato, quem assiste ao filme pode ou não perceber estas singularidades, mas como meu envolvimento com a arte, em todas as suas expressões está intimamente ligado uma à outra, a relação que me veio de imediato foi com a obra do artista goiano, Luiz Mauro. Mesmo que ainda tímido no circuito virtual, Luiz Mauro é um veterano, premiado nacional e internacionalmente e frequenta seu atelier religiosamente, pintando sem pressa, sem holofotes ou selfies! Com poesia e informalidade, ele mesmo descreve sua função:

“Meu trabalho está conectado com os anseios, as dores, a solidão e o vazio que têm caracterizado a sociedade contemporânea. Na infância eu já manifestava interesse por arte e uma certa habilidade para o desenho. Mas foi somente aos 16 anos que tive contato com a pintura. E foi um contato muito envolvente. De imediato percebi que era o que eu queria fazer. A partir daí comecei a freqüentar ateliês e exposições. Contei com a paciência de muitos artistas, como Siron Franco, Carlos Sena, Omar Souto, Gomes de Souza, entre outros. Foi nessa idade que comecei a pintar.”

O artista veio da Geração 80, ligada à pintura. Desenvolveu uma linguagem contemporânea quando administrou a técnica das HQ’s nas telas em grande formato, com temas humorados e paradoxais. Luiz tem um trabalho expressivo e minucioso. Tem a paciência de um monge para dialogar com a tinta à óleo e seus vários experimentos, como as folhas de ouro e sua oxidação, a têmpera, a aquarela, o desenho em nanquim ou lápis 6B, além das aulas de arte que ministra em desenho e pintura. A cama é quase que a figura central de seus temas. Atualmente, para nossa felicidade, ele vem produzindo suas caminhas em esculturas delicadas, suaves, lindas, porém impactantes. Estas não são camas para sonhar, mas para pensar!

 Lugar onde há sonhos ou pesadelos, onde se deitam filhos ou se deleitam amores, onde debaixo vive o Bicho-Papão, ou se descobre uma grande invenção! A cama é onde passamos um terço de nossas vidas e nela acontecem viagens e miragens que só quem sonha sabe contar o que realmente são! Inevitavelmente é nela também que sofremos, nos repousamos durante um resguardo, nos refugiamos para um choro, um grito, um momento de solidão! Ela sim, é nossa maior amiga, pronta a nos receber, a nos aconchegar, a nos esfriar ou esquentar!

Obrigada, Luiz por estabelecer essas conexões invisíveis, pois querendo ou não o artista é o responsável pela ciência da arte! Cabe à quem a observa entrar no fundo do buraco negro para se descobrir!

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A Origem da Obra de Arte

Desde muito cedo as crianças vem aprendendo a importância do meio ambiente e as transformações a que está sujeita, nos tempos atuais. Não me recordo de muitas considerações sobre a importância da água e sua economia, ou de separar o lixo orgânico do reciclável, ou ainda do dióxido de carbono no ar, quando tinha a idade do Igor, meu filho mais velho, isto é, quando tinha meus 6 aninhos.

Hoje lemos juntos um texto de sua escolinha sobre o planeta Terra. O título era “A doença da Terra” que contava o diálogo entre o Sol e o nosso planeta, onde tentavam juntos diagnosticar uma suposta doença que afetava a Terra com tosses e espirros. O Sol queria de imediato lhe receitar um xarope, mas a Terra rejeitou o remédio alegando que não adiantaria em nada se os homens não parassem de poluir as águas com o lixo, o ar com a fumaça das fábricas e a devastação das florestas, arrancando indiscriminadamente suas árvores. As questões da tarefa de ciências era para uma criança de 6 anos, mas poderia ser para qualquer cidadão do mundo.

Realizamos recentemente uma visita ao Instituto Inhotim. Lá descobrimos que existe uma possível solução prática e criativa para se preservar a natureza e ao mesmo tempo se divertir com arte. Lá temos a impressão de que a Terra respira um pouco mais aliviada. Os lagos, as plantas, as galerias de arte, as hortas e a biblioteca com centenas de títulos sobre botânica se relacionam entre si, para um mesmo fim, procurar um sentido mais humano de viver, mais natural, mais ecológica e artisticamente correto.

Um exemplo é a obra de Marilá Dardot, A Origem da Obra de Arte. A obra constitui um convite para a interação do espectador, instigado a compor palavras e sentenças e a distribuí-las pelo campo. Cada letra tem o feitio de um vaso de cerâmica (ou será o contrário?) e, à disposição do espectador, encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes. Para abrigar a obra e servir de ponto de partida para a criação dos textos, foi construído um pequeno galpão, evocando uma estufa ou um ateliê de jardinagem. O título da obra faz referência a um clássico da Estética, a célebre conferência de mesmo nome do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), proferida em 1936, na qual o pensador aproxima o conceito de arte daqueles de “verdade” e de “ser”, sugerindo que comecemos a entender a arte pela obra de arte. A peça de Dardot é um marco inicial no interesse da artista pela linguagem escrita como matéria-prima e associa-se à sua pesquisa sobre as práticas de escrita e de leitura. O que está em jogo aqui é o conceito de obra enquanto possibilidade de realização. A imagem do “canteiro de obras” é emprestada para criar um campo de possibilidades de experimentação para o acontecimento e a construção da obra de arte. Plantar palavras, semear ideias, é o que nos propõe o trabalho. No contexto de Inhotim, onde natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta proposição se torna, de certa maneira, mais perto da possibilidade.

Mesmo que ainda nem tão privilegiados poderíamos também adotar a possibilidade de semear ideias dentro da realidade em que vivemos.

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Quando questionado sobre qual seria o nome da doença da Terra, Igor a denominou como A Mau Criação dos Homens. Acho que ele tem razão! Chega um momento que todo homem mau criado acaba tendo o seu castigo. Não é só o calor, ou as epidemias, ou o alto custo de vida ou a falta de água que reflete as consequências das nossas ações é o que temos dentro do coração. Se agirmos com mais prudência, menos consumo, mais natureza, menos sintéticos, mais amor talvez ainda dê tempo de semearmos as plantinhas para que cresçam, se desenvolvam e deem frutos.

Mas temos de plantar!

O concreto em mim

Hoje curti a página do cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes.

Provavelmente ele foi tão importante na minha vida quanto o Lenine, ou até mais! Uma vez titã sempre titã!

De fato sua poesia me conquistou não somente pela assimetria dos versos e rimas, mas sim pela dança geométrica das palavras e seus significados! Significativas elas são, tanto num contexto político, quanto romântico! Foi por causa dela, da poesia concreta de Antunes, que iniciei minha pesquisa para conclusão de curso em Filosofia da Arte, na IFITEG/UEG, em 2005. Tudo aquilo, todas aquelas palavras desenhadas me remetiam à Augusto de Campos, à Geraldo Barros, à Hélio Oiticica, Lygia Clark, Franz Weissmann, Amílcar de Castro…

As formas, os símbolos, os ideias… Decidi nomear minha monografia de “O Movimento Neoconcreto e alguns desdobramentos contemporâneos”. Divaguei sobre alguns artistas e obras de arte marcantes de cada década, como os Bichos de Lygia Clark , os Penetráveis de Hélio Oiticica (1950/60), as intervenções nas garrafas de Coca-Cola por Cildo Meireles (1970), os poemas de Arnaldo Antunes (1980/90) e por fim o grafite de Alexandre Órion (2000 em diante)!!! Um pouco de viagem mesmo, mas tudo com ponto de vista convergente ao idealismo neoconcreto, escrito por Ferreira Gullar, em 1959. Gullar defendia o Manifesto Neoconcreto como uma arte interativa, participativa em relação ao seu observador. A ideia central era que o espectador também fizesse parte da experiência da arte, isto é, que a tocasse, a rondasse, se integrasse à ela.

Todas as obras de arte, direta ou indiretamente, cumprem este objetivo, mas num contexto neoconcretista, as obras acima citadas atingiam as metas do meu projeto de pesquisa. Os fundamentos de Merlau-Ponty e sua fenomenologia também acrescentavam conteúdo para a explicação de toda essa miscelânea artística.

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Porém o que me fez retornar aos poemas de Antunes com essa minha nostalgia acadêmica, foi um artista goiano, que foi chegando de mansinho e garantiu seu espaço no circuito cultural com delicadeza, gentileza e talento. Os finos fios de ferro de Evandro Soares emergiram da bidimensão como um truque de mágica. As sombras, a geometria, as falsas ilusões de ótica deixaram bem claro que o truque é mesmo de mestre. Evandro preencheu uma lacuna da arte goiana, que ainda não havia sido completada. Um artesão, um artista, um exímio escultor que molda o metal na sua forma mais bruta para colocá-lo logo em seguida, flutuando no ar.

Mais um desdobramento contemporâneo, se fosse ainda tempo de o inserir na minha monografia. Sua obra se faz concreta e viva, quando nos locomovemos ao seu redor, quando ela muda de forma, transforma seus ângulos em retas, suas sombras em continuidade do ferro e seus fios em leves esculturas flutuantes.

O concreto e neoconcreto da arte não se explica, apenas se sente…

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Mais Made in Brasil

Goiânia acaba de ganhar mais uma loja conceito que dará muito o que falar. Com ares de galeria de arte e design, ora com o pezinho no barroco, ora com pezinho na mata atlântica ou floresta amazônica, a Identidade do Design ou simplesmente ID+D abriu suas portas nesta última quinta-feira (25/09), com elegante coquetel e surpreendente ambientação orgânica. Orgânica porque a curadoria das peças foi garimpada e selecionada à dedo, seja pelas formas naturais da madeira esculpida pelo gaúcho Hugo França, seja pelas ripas encaixadas uma na outra sugerindo os galhos das árvores ou compensados em formas de bolas em design arrojado do paulista, Paulo Alves ou ainda nos papeis e pedras polidas do mineiro Domingos Totora.

hugo françaMesa, Hugo França

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Banco Pedra e banco Bola, Paulo Alves

Sim, esta é uma loja orgânica. Não sou eu quem o diz, mas a jabuticabeira mais que balzaquiana que nos recepciona à sala principal, com pé direito de 6m de altura. As empresárias e sócias, mãe e filha, Fátima e Inês Paniago e Mariana Diniz organizaram tudo com sensível habilidade de decorar com arte e natureza. Com pitadas femininas à tira gosto das delicadas peças da designer Rosa Pinc e saborosos cuidados na ambientação pela designer Maria Cândido Machado. A organicidade do espaço fala por si só!

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Abajur em cerâmica reciclada, Rosa Pinc

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Obras de arte: desenhos de Pitágoras e cerâmicas de Antônio Poteiro

Quanto às obras de arte, grandes nomes do circuito nacional e internacional se misturam em formas, técnicas e texturas. As fortes e corajosas figuras do universo de Pitágoras se somam às esculturas de cerâmica de Antônio Poteiro e aos traços característicos de Marcelo Solá. As doces e amanhecidas imagens da mata atlântica aparecem sob o olhar da fotografia da carioca, Cristina Oldemburg, que dialogam com os ilustrativos desenhos de árvores do mineiro, Carlos Cordeiro. Nas salas superiores concentram se os goianos, o veterano Siron Franco, o premiado Sandro Gomide e o promissor Gustavo Rizério.

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A loja com o design de Maria Cândido Machado e fotografias de Cristina Oldemburg

Temos grande prazer e orgulho de fazer parte desta empreendedora aventura orgânica, que estas maravilhosas profissionais tanto se empenharam e que tanto nos surpreendeu. A ID+D é um ode à natureza, às formas naturais do design e à tão sonhada sustentabilidade. Mais arte, mais design, mais organicidade.

Mais made in Brasil!

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