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Luiz Hermano

digitalizar0031Tenho uma relação especial com a obra do artista cearense Luiz Hermano. Seu trabalho é sensível e lúdico, misterioso e familiar, incrivelmente minucioso e pacientemente artesanal. Foi em 1994 que tive contato com suas obras e com suas “Esculturas para Vestir”, mostra de arte realizada pelo MAM | SP e trazida, no ano posterior, por Marina Potrich para cidade de Goiânia.

A vernissage foi um grande alvoroço de artistas, colecionadores, imprensa e bochicho cultural. Não por menos, a recepção calorosa dos goianos à um dos maiores expoentes da arte contemporânea brasileira foi digna de um coquetel regrado à champagne e holofotes.

Depois de 20 anos volto a comentar deste senhor das amarrações, das formas arredondadas, da leveza espacial que cria, seja com metais ou materiais orgânicos e pesados, em estruturas digitalizar0030livres, soltas e flutuantes.

Seu senso crítico está mais aguçado.

A naturalidade e leveza de suas criações está cada vez mais relacionada à atualidade e a realidade social.

Sem dúvida nenhuma é um artista que cresce com o seu trabalho e vice-versa.

Sem nunca abandonar suas raízes da terra natal ou o espírito de criança invadir suas ideias.

Luiz Hermano é um grande artesão, uma criança que brinca com a arte como um menino da cidade monta peças de Lego.

Aproveito a oportunidade para convidar o leitor a passear pela mostra Ter e Ser, na Galeria de Arte Roberto Alban, em Salvador, que fica até dia 28 de maio. Lá é possível fazer um balanço da carreira do artista e concluir que quanto mais ele brinca, mais ele gosta de armado 2brincar de fazer arte.

Sorte nossa!

Vai lá: http://www.robertoalbangaleria.com.br/

Na sequência das imagens:

Modelos fotografados por Bob Wolfenson: ” Armado em Infinito” e ” Armado”.

Esculturas fotografadas por Romulo Fialdini

armado 3

Nunca os Titãs foram tão atuais

Todo este alvoroço sobre estupro, se merece ou não merece ser, se usa ou não usa roupa, me fez recordar de umas imagens da história da arte.

gustave coubertUma delas é a obra de Gustave Coubert, “A origem do mundo”, de 1866 que recentemente ilustrou uma das páginas da Revista TPM, que falava sobre o tema da vagina.  A revista faz uma entrevista com a americana Naomi Wolf que acaba de lançar o livro com este nome, onde descreve sua pesquisa e fala sobre prazer, pornografia e empoderamento feminino, inclusive uma experiência própria, onde conta que depois de alguns exames descobriu que uma lesão na coluna vertebral comprimia o nervo pélvico que acabava no canal vaginal.

É interessante todo este assunto vir à tona, pois que, voltando à pintura de Coubert, segundo o jornalista Will Gompertz, a obra permaneceu à olhos privados até 1988, quando foi mostrada pela primeira vez numa exposição pública. Mesmo depois da revolução sexual a sexualidade feminina é muito pouco discutida. Existem milhares de revistas especializadas em “anatomia” feminina, mas nada que discuta o assunto cientificamente, embora sendo (porno)graficamente demonstrada.

adriana paisagensOutra imagem que me veio à memória, mais contemporânea e verdadeiramente nacional foram as “Paisagens”(1995), de Adriana Varejão. Queira ou não queira seu impacto visual é certamente orgânico e visceral. À princípio incomoda, remetendo ao passado, à geografia, à natureza e  ao contato natural e agressivo com que se consumou a nossa formação racial. Um estupro coletivo de toda uma nação. Se por ora eram índios, depois africanos, em seguinte foram mulatos, mestiços, crioulos…

Daí sim, se explica um pensamento cultural, herdado por descendentes inconscientemente bárbaros, tribais, aventureiros e primitivos. Nossa filosofia não voa além da nossa realidade. Somos um país inventado por vários indivíduos órfãos de nações. A nossa nação que se forma é assim interpretada hoje. O calor, o suor, a beleza tropical também são ingredientes para um surto instintivo. Tanto do homem como da mulher! Fomos agraciados pelo país que é bonito por natureza, acreditamos em nossa formação como nação unida, no entanto ainda alimentamos nosso prazer com selvageria, violência e certa vulgaridade

“Homem primata, capitalismo selvagem!”

Prata da casa

Pensando cá com meus botões decide exorcizar umas ideiazinhas aqui no blog!!

Lendo uma entrevista da cantora Luciana Mello percebi a naturalidade com que contava suas aventuras culturais entre estúdios de música e almoços com grandes nomes da MPB quando ainda era criança. Atualmente, revezando a carreira como apresentadora do excelente programa da TV Cultura, Almanaque Brasil, ela deixa um recado, ao fim de sua entrevista, para os sensatos leitores: ” Ouçam a boa música brasileira! Somos um povo abençoado com um registro musical tão rico, que vale a pena ser escutada diariamente.”

A mania de achar que o de fora é melhor já era. Corre por  aí uma excelente propaganda que espalhou pela cidade um sábio14 slogan: ” Quer multiplicar seus ovos de ouro? Valorize a prata da casa.”

Somos brasileiros e temos muitos defeitos, mas nossas virtudes culturais são incomparáveis.

Somos goianos e temos muitos defeitos, mas nossas virtudes artísticas não se deixam levar por nenhum outro Estado quiçá, outras cidades do mundo.

Observando outras áreas de atuação cultural, como na gastronomia fica evidente a força que se ganha quando se valoriza o que tem. Não é à toa que Alex Atala anda na boca do povo. Ele viajou pelos quatro cantos do mundo experimentando e pesquisando alquimias, mas foi a culinária brasileira que o promoveu do título de punk para chef pop.

São da mesma teoria nacionalista os designers Irmãos Campana, que fincaram o pé em suas raízes e levantaram voo para o mundo.

Outro exemplo que aconteceu muito e, ainda acontece são os olhares invertidos. Explico, o estrangeiro valorizando o nosso nacional. O francês Pierre Verger, o argentino Carybé, o italiano Bruno Giorgio, o português Antônio Poteiro,  e por aí vai… Não foi só porque eles adotaram o Brasil como sua terra natal, que se tornaram tão nacionalistas, mas sim a visão que conseguiram ter sobre tamanha riqueza e diversidade cultural existente neste país que não é só de carnaval e futebol.

Fica aqui a dica! Não é questão de patriotismo, levantar a bandeira ou decorar o hino nacional, mas sim de saber realmente o seu significado!

Nós valorizamos a prata da casa!

 

 

Consciente Coletivo

Escrevo essas mal traçadas linhas um devaneio sobre três gerações de jovens experimentadores da arte urbana que por uma coincidência coletiva se alimentam da mesma linguagem temática.

O grafiteiro e exímio desenhista, WÉS fundamenta sua produção no universo brasileiro do folclore, natureza (pássaros principalmente), negros e a sarcástica curtição do homem palhaço. Domina técnica e raciocínio sobre escala e nanquim! De suas figuras nascem as expressões históricas de nossos antepassados, Calungas. (Kalunga, desenho sobre papel, 2012)

Kalunga com Tucano - desenho sobre papel

O sagaz e multifacetado, Mateus Dutra administra a carreira entre projetos culturais, desenhos, intervenções urbanas e discotecagem. Traz na bagagem a certeza de quem esteve onde tudo começou, a África. Lá, onde realizou mostra individual de trabalhos geometricamente figurativos, produz agora os descendentes desta terra calorosa e ricamente espiritualizada. Desenvolve pesquisa sobre grandes nomes de gênios da música, da política e do esporte, onde o destaque é o afrodescendente.  (Cândido, desenho sobre papel, 2014)

candido

O veterano, Decy consolidou sua carreira na maior galeria aberta: a rua. Seus grafites estão por toda parte, a imagem da negritute, do orgulho de ser brasileiro, da beleza cafuza, mameluca, mulata, mestiça ou crioula. Investiu cores, tempo e criatividade em muros abandonados, becos, vielas e avenidas movimentadas. É exemplo de vida e dedicação ao amor pela arte. (Jimi Hendrix, pintura sobre tela, mostra Fake Fake 5, 2013)

decy

Três meninos, moços, homens…

Três histórias comprometidas com a arte!

Três pesquisas interligadas por um único objetivo, somos quem somos e sabemos de onde viemos!

 

Pintando o sete

O artista mineiro, Vasconcellos, residente há 39 anos na Dinamarca volta ao Brasil para mais uma mostra de arte. Aqui, Vasconcellos nos agracia com o seu talento, num cantinho da Galeria que utilizou como atelier para finalizar algumas obras para abertura do vernissage nesta quarta-feira.

Com muita habilidade, esforço físico e alquimia de experimentos entre tinta à óleo, acrílica e resina vegetal, o artista de 74 anos parece um garoto fazendo arte escondido dos pais. Sem cerimônias ele sobe, desce, senta no chão, fala palavrão, mas em momento algum desrespeita sua arte e trata com delicadeza e doçura a espátula e o pincel.

Seguem imagens de cinco dias de produção no atelier improvisado nas dependências da Galeria!

vasconcellos

 

 

Curta nosso Face

Você sabia que a Potrich Galeria tem uma página no Facebook? Lá vc encontrará fotos de pessoas, obras, eventos e lugares  que respiram arte.Vai lá e curte: https://www.facebook.com/potrichgaleriadeartecontemporanea/

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Um pouco da nossa história

Para prestigiar a nossa cultura e principalmente valorizar nossas raízes dedicamos este post há uma história de amor e arte da família Potrich. Amor, porque foi erguida através de muito esforço e parceria familiar. Arte, porque é o pilar que sustenta o nosso trabalho e a credibilidade em tudo que fazemos e acreditamos.

O início da trajetória da Galeria foi entrelaçado pela maravilhoso período do renovação da pintura dos anos 80 e, Marina Potrich não pode deixar de vislumbrar a arte do talentoso Siron Franco para abrir um mercado da arte goiana no Estado de Goiás, que antes inexistia. Assim como difundir uma nova safra de jovens artistas que se arriscavam neste circuito tempestuoso.

siron 2Expandindo seus negócios, tanto em acervo, quanto em espaço, esta pioneira do mercado das artes goiana, juntamente com sua filha Ludmila Potrich fecharam com chave de ouro a aliança com o renomado artista Siron Franco. Ludmila, que trabalhou para a realização do livro “Figuras e Semelhanças”, da Editora Index e texto por Dawn Ades, ganhou agradecimentos por sua dedicação, como também, o nome da Galeria ficou registrado no livro.

O lançamento realizado em 1995, com noite de luxo e  mostra dos “Objetos Mágicos”, que contou com cinco obras do artista, nas dimensões de 300 x 400 cm, tomaram conta de todo espaço branco das paredes da Galeria Potrich. Um evento memorável e nos orgulhamos de fazer parte de mais uma página na história das artes visuais brasileira.

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Resistir é Preciso!

Belíssima mostra no CCBB- DF!

Aqui imagem do site com a obra de arte de Antônio Henrique do Amaral, que ilustra a Exposição Resistir é Preciso. Artista disponível no nosso acervo: http://potrichgaleria.com/br/a-h-amaral/

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FAKE FAKE na rua

fake

Fachada + Grafite

Arte Sempre… Dentro e Fora…

Grafite por WÉS e Mateus Dutra!

fachada