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Ponto de vista

A princípio a ideia era estabelecer um ponto de vista crítico sobre a política atual e o assunto do ouro negro brasileiro que abarrota todos os noticiários, porém não sendo eu muito caxias, ou quiçá uma jornalista, transfiro minha avalanche de propostas críticas sobre os pós e contras, esquerdas e direitas, brancos e pretos, altos e baixos para nossos cientistas da arte. Elementar que sejam eles os primeiros a proferirem os acontecimentos e desdobramentos de uma sociedade que vive a cerca do narcicisismo, acúmulo e desequilíbrio emocional.

M.C. Escher (1898 – 1972) há tempos já dissertava suas conclusões à respeito da natureza humana, embora embevecido de pura contrariedade, Escher manifestou artisticamente a eterna constância do ser ou não ser, certo ou errado, real ou virtual.

escher

O domínio da técnica baseada no ponto de fuga, zénide e nadir, nas congruências ou divergências das curvas ou retas, nos poliedros, espirais, ou na fita de Moebius, sem limites para criar, Escher desenhou o infinito com limitações do espaço. Sua inquietação era nada mais do que toda a anti proposta humanitária, teve surtos criativos ao se deparar com as notícias da guerra do Vietnã, viu conhecidos serem levados para campos de concentração no auge do Nazismo, mas ainda assim testemunhou o preconceito e a rivalidade serem vencidos pela arte.

Sim, este sobe e desce de sensações e emoções na vida de um artista são combustível para sua criação. Aqui trago recente imagem do fotógrafo Heródoto, extraída de seu intagram @herodoto, intitulada “Escher feelings”. A vida imita a arte, a arte imita a vida. Esta seria talvez a ideal política à sobrevivência, pois que a “arte existe para que a realidade não nos mate”.

Escher feelings

O artista goiano Evandro Soares absorve este surto contemporâneo do qual vivemos e tenta descobrir mais um ponto de fuga para clarear as ideias e acreditar que existe uma esperança para a humanidade. Soares inventou ou a casualidade o surpreendeu com o surgimento da sombra como elemento pictórico. Ele usa o suporte bidimensional para traçar suas retas, suas escadas, seus cubos torcidos ou distorcidos, para que então prenda sobre eles delicados fios de ferro, dando lhes volume, corpo, vitalidade. Não bastasse esta intervenção, Soares conta ainda com a sombra dessas formas, que se multiplicam e formam ou deformam a primeira proposta artística. A luz sobre seus trabalhos enriquece, transforma e intensifica o desenho na sua totalidade. A sombra se comporta como a quarta dimensão no suporte da obra finalizada.

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Quem dera caminhássemos rumo à quarta dimensão, porque a geração coca-cola com pipoca 3D já deu o que tinha que dar. Se a sombra não sobrevive sem a luz e vice-versa, estamos fadados a acreditar que o bem não sobrevive sem o mal, daí o ponto de vista que recai sobre o espectador é: defina qual a sua luz e sua sombra e siga em frente, mas sem apagar a do próximo, por favor!

Imagem de Evandro Soares na montagem do 39° Salão de Arte de Ribeirão Preto, por Yoli Cipriano

Divino

“Incorporo a revolta”

A frase pronunciada pelo poeta Waly Salomão, expandida plasticamente por Hélio Oiticica, incorporada como vinheta na música da banda  RAPPA, citada por Divino Sobral no seu premiado texto para o catálogo “Situações Brasília 2014″ e intitulado “A violência na Arte Contemporânea Brasileira”, seria um jargão nos tempos atuais.

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O inebriante texto de Sobral esmiúça o cenário artístico contemporâneo nacional fazendo uma relação intimista entre nossa origem cultural aos nossos heróis e marginais, nossa mídia oportunista, nossos artistas incomparáveis. Rememora obras homéricas de importantes artistas como Cildo Meireles,  Hélio Oiticica, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Alfredo Ceschiatti, Nuno Ramos, Bob Wolfenson, além de também incluir os artistas goianos Helô Sanvoy e o Dalton Paula.

O tema em pauta se encontra cotidianamente nas ruas, nos grafites, nas músicas, na poesia, no RAP, nas letras da banda o RAPPA. Ler os cuidadosos detalhes das descrições das obras e pertinentes indagações sobre a violência no texto de Sobral é como caminhar no timbre das canções do álbum “O Silêncio que precede o Esporro”, ou percorrer os versos desgarrados de Waly Salomão. É como observar  homenzinhos amarelos nas paredes de grandes metrópoles, pintados por uma dupla de irmãos gêmeos. Heróis ou vilões? Sobral deixa bem claro ou sem sombra de dúvidas que a violência é quase um ato cultural na nossa sociedade. Tampouco a violência física, mas a violência ética que é a mais grave de todas. Essa, que ultrapassa os limites do que é certo ou errado e que nos dificulta distinguir nossos verdadeiros heróis, nossos Robin’s Hood’s ! Quem são eles? Os sacis, caiporas, curupiras, tabajaras, tupiniquins? E se forem, como podemos aprimorá- los? Quais seriam seus super poderes?

Dentre eles nasceu um super homem brasileiro nos traços baianos do ator Wagner Moura, o Capitão Nascimento, para quem ainda se recorda de “Tropa de Elite”. Nele teríamos a chama da esperança acesa para que enfim, o circuito vicioso da violência pudesse, ao menos ser controlado. Obrigada, Divino Sobral, por compartilhar suas preciosas observações! O prêmio é apenas um reconhecimento a este ato de solidariedade à uma sociedade carente de conhecimento ético.

 

“Incorporo a revolta
Dança do intelecto e
Dilaceração dionisíaca
Obsessiva idéia de fundar uma nova ordem
Frente às categorias exauridas da arte
E a indignação da rebeldia ética
A quase catatonia do quase cinema
E o júbilo epifânico do Éden
Samba, o dono do corpo
Expressão musical das etnias negras ou mestiças
No quadro da vida urbana brasileira

Experimentar o experimental
Experimentar o experimental
A fala da favela
O nódulo decisivo nunca deixou de ser o ânimo
de plasmar uma linguagem convite para uma viagem
E agora? Quer dizer, e o que que eu sou?
Meu nome é Waly Salomão, um nome árabe, Waly Dias
Salomão.
Nasci numa pequena cidade na caatinga baiana, do sertão
baiano.

Filho de pai árabe e uma sertaneja baiana.
A memória é uma ilha de edição.
Nasci sob um teto sossegado.
Meu sonho era um pequenino sonho meu.
Na ciência dos cuidados fui treinado.
Agora entre o meu ser e o ser alheio a linha de
fronteiras se rompeu.
Câmara de egos.
Eu tenho o pé no chão porque sou de virgem, mas a cabeça
gosto que “avoe”.”

Estranho Mundo

A chamada do Bing (mecanismo de pesquisa na internet) “De ressaca como a morsa?” para o primeiro dia do ano, cuja a imagem me despertou para falar novamente sobre o assunto do meio ambiente e sua relação com a natureza humana é pertinente e muito atual dada a seleção visual para este primeiro post de 2015!

morsa

Embora tenha havido uma grande devastação da espécie em busca de sua gordura, couro e principalmente do marfim das suas presas, a matança das morsas diminuiu, graças aos programas de proteção da espécie.

Uma boa notícia para o começo do ano, não é!

Mas o surpreendente mesmo não é só isso, a estranheza e a familiaridade física destes bichos com o imaginário mítico das fabulas marítimas é coisa para Freud explicar. Isso porque me veio à tona dois artistas que comungam da arte tipo unheimlich(estranho) ou do estilo contemporâneo, Hiper Realismo. Este extravasamento exótico de criação, que se transforma em arte nos seus mais diversos tipos de expressão (pintura, escultura, fotografia, desenho, grafite…) ganha formatos característicos que nos deixam confusos. Depois da mídia do fim de ano em torno da mostra do artista hiper realista, o australiano Ron Muek, na Pinacoteca de São Paulo, a imagem da morsa veio resgatar em minha memória um brasileiro que de tão hiper realista consegue se disfarçar com naturalidade, mas por pouco tempo.

Um exemplo dessas esquisitices dele é o Ipupiara, uma espécie de monstro marinho que teria sido encontrada na capitania de São Vicente, no ano de 1564. O historiador e cronista português Pero de Magalhães Gandavo teria descrito a criatura como tendo “quinze palmos de comprido e semeado de cabelos pelo corpo, e no focinho tinha umas sedas mui grandes como bigodes. Os índios da terra lhe chamam em sua língua Hipupiara, que quer dizer demônio d’água“.

morsa walmor correa

A destreza e minuciosidade que Walmor B. Corrêa coloca em sua obra de arte lembra a característica técnica dos antigos naturalistas europeus envoltos às suas pesquisas de reconhecimento da fauna e flora brasileira, nos séculos passados. Nem preciso ressaltar este naturalismo nato do brasileiro visto que, observando seu trabalho superficialmente, nada nos chamaria a atenção fosse alguns pequenos detalhes. Walmor, na obra Ipupiara, de 2005, vai além da realidade. O artista faz uso da criptozoologia e investiga possibilidades biológicas de mutações genéticas.

A  australiana Patrícia Picinini, que participou de mostra com o vídeo Plasmid Region no Paço das Artes, doze anos antes das obras de seu conterrâneo desembarcar em São Paulo em novembro de 2014, justificou naquela época, que não houve patrocínio para também trazer suas esculturas hiper realistas. Patrícia aborda o estilo com toques de possíveis biotecnologia à serviço da natureza humana, ou não. A obra The Long Awaited, de 2008 é mais um tipo unheimlich da versão morsa.

morsa patricia piccinini.

O animal real, a morsa vive até 30 anos, seu couro engrossa a cada ano que passa, suas patas só lhe servem na terra para momentos preciosos de acasalamento e suas presas, com mais de 1 metro de comprimento, lhe permitem caça, defesa e um certo desajeitamento físico.

O ser fantástico, criado pela artista, adormecido no colo de uma criança, me parece um misto genético de um neandertal com um ser marítimo, que vem premunir uma era de sentimentos desconhecidos, no entanto familiares e repulsivos quanto nossos sonhos e certezas sobre a realidade.

O estranhamento e encantamento das coisas do mundo as quais estamos fadados a experimentar ao longo da vida, residem no enigma das obras destes cientistas da arte que nos relatam, em primeira mão, um futuro próximo.

A ciência estaria a favor do homem a quais consequências?

Sim, Bing, a minha ressaca tá que nem a da morsa, pois mais um ano inicia!

Insetos

Os insetos são animais invertebrados e fazem parte da classe insecta. Sugiram há milhões de anos. Cientistas afirmam que os primeiros surgiram há cerca de 500 milhões de anos. Atualmente, existem milhares de espécies e, entre elas, podemos destacar: borboletas, moscas, traças, abelhas, vespas, besouros, formigas e muitas outras. Existe uma ciência que estuda os insetos e o nome dela é entomologia. A palavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar “estudo dos insetos”. Éntomom significa inseto e é derivado do radical entomos, que significa cortado, dividido. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos anéis ou segmentos. Daí, para aprofundar no assunto, você poderá clicar na wikipédia ou colocar a palavra no google (como eu fiz)…

Meu assunto aqui é o que estes bichinhos tem a ver com a arte contemporânea!?

Este ano, propriamente dito e quase findo, houveram duas situações que me fizeram refletir à respeito deste ser vivo. A primeira foi a obra do artista goiano, Siron Franco “O desaparecimento das abelhas” (2014), cujo tema já abordei aqui no blog alguns meses atrás. A efêmera intervenção consistia em adesivar muitas imagens de abelhas na fachada do Instituto Rizzo, localizado no Setor Sul, bairro de Goiânia. A idéia era conscientizar o espectador sobre o efeito devastador da falta que estes bichinhos fariam ao nosso ecossistema caso sumissem geral. Infelizmente o resultado estético da obra não foi lá tão bem vindo à uma parcela da população goianiense, no entanto seu discurso sensibilizou uma outra parte dela à uma reflexão sobre o assunto.

Bem diferente do suporte artístico e do efeito estético da obra de Siron, a fotografia “Dengue” (2010), de Wildes Barbosa, na atual mostra Fato Popular, Olhar Incomum vem registrar um momento carregado de poesia. Aos olhos do curador da mostra, Rafael Castanheira a foto “aborda a questão da dengue de forma alegórica, já a mão humana é historicamente responsável por uma série de problemas sociais e, neste caso não foi diferente.  A imagem, a meu ver, sugere, o homem soltando/produzindo/fazendo proliferar este mosquito.”

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De abelhas à mosquitos da dengue estes pequenos insetinhos desaparecem ou se multiplicam por algum desequilíbrio da natureza, mas e, principalmente da natureza humana! Há de se refletir e também aproveitar estes últimos dias restantes do ano de 2014 para fazermos um balanço ecológico do planeta.

Estiagens, enchentes, epidemias, ebola, estórias mal contadas…

De ciclos em ciclos, anos em anos, que vem e vão, alguns de nós, ainda sim saímos no lucro!

Estamos vivos!

Feliz 2015!

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MAM/RJ e Amilcar

O Museu de Arte Moderna do Rio abriu, no dia 26 de novembro, a mostra Amílcar de Castro, com curadoria de ninguém menos que Paulo Sérgio Duarte. A mostra que fica até dia 8 e fevereiro é uma retrospectiva e traz alguns trabalhos de aço em grandes dimensões, além de obras produzidas com outros materiais, como madeira e mármore.

No ano passado escrevi, para Coluna Art Et Cetera da Revista Di Casa, sobre minha experiência com este gigante da arte brasileira. Pra quem não leu, segue o texto aqui no blog e para quem não conhece Amílcar de Castro, tá aí uma ótima oportunidade de interação com um dos mestres da escultura brasileira e percursor dum dos movimentos artísticos mais importantes do país, o Movimento Neoconcreto.

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Uma breve resenha ao gigante do aço mineiro

Há algum tempo ensaio resenhas sobre este gigante da arte e do design brasileiro, mas ainda não ocorrera devida oportunidade para apresentá-las. Agora, escrevendo para a Di Casa que é uma revista de design e decoração penso que é chegada a hora.

Mineiro, amante das artes, discípulo de mestres como Guignard e Franz Weissmann, Amilcar de Castro trilhou seu caminho com linhas, retas, cortes e dobras. Reinventou o design gráfico, estruturou a escultura a partir do plano bidimensional e brincou de “samurai” com o metal e com o pincel.

Nascido em Paraisópolis, em 1920, se muda para Belo Horizonte, aos 14 anos. Cursa Direito e advoga durante um curto período, pois recebe convites para trabalhar como diagramador. Afia seus conhecimentos em 1951, após conhecer um ícone da arte concreta, o suíço Max Bill, premiado na Iª Bienal Internacional de São Paulo pela escultura Unidade Tripartida. A partir daí, insere o princípio da Tabela de Fibomacci para fundamentar sua diagramação e coloca em prática a reforma gráfica nos principais periódicos do país, desde 1957.

No ano de 1959, assina com demais companheiros o Manifesto Neoconcreto escrito por Ferreira Gullar, cujas teorias se encaixariam perfeitamente ao seu estilo de trabalho e pesquisa artística. Enriquece seu conhecimento numa longa temporada no exterior retornando ao Brasil na década de 1970 onde confirma sua grande paixão e orgulho ao barroco mineiro. Digo isso porque o conheci em seu atelier, no centro de Belo Horizonte, em 1997.

Foi no mesmo ano em que terminei um dos meus cursos de ourivesaria, em 2000, a Galeria Kolams lança a coleção de jóias do artista eternizando em ouro, a nobreza de tamanho talento. Em 2003, um ano após sua morte, volto ao seu atelier na companhia de minha mãe, agora em Nova Lima. Projetado pelo arquiteto Allen Roscoe, a grande galeria de vidro, suspensa pela belíssima serra mineira abrigava dezenas de protótipos de esculturas além de um majestoso fogão à lenha típico da cultura caipira.

Em 2004, a Potrich Galeria realiza a mostra Corte, Dobra, Forma e Cor que traz à Goiânia desenhos, xilogravuras, pinturas e esculturas em pequenos formatos para seu acervo. No ano seguinte, a 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre lhe dedica uma sala especial se encarregando de despachar toneladas de esculturas de aço para mostra. Uma merecida homenagem ao maior escultor brasileiro da contemporaneidade. Meu mais recente contato com este Gigante do aço foi numa visita ao Instituto Inhotim, em 2011. Num passeio distraído pelo jardim projetado por Roberto Burle Marx me deparo com sua escultura chapada, cortada e dobrada representando o legítimo concretismo brasileiro.

As obras do artista estão hoje em importantes instituições e espaços públicos, assim como em coleções particulares e comercializadas por leilões e galerias de arte idôneas no mercado nacional e internacional.

À você Amilcar de Castro, dedico esta breve resenha!

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Vínculos Culturais

Eu estava no primário quando conheci Rafael Castanheira.

Estudamos juntos no mesmo período, na mesma escola, na mesma sala. Com nossos sete ou oito anos lembro que dançamos quadrilha juntos e daí então nossos vínculos culturais se estabeleceram.

Durante a minha adolescência a Galeria atendeu uma cliente muito descolada, esbelta, ruivinha, sardenta que estava decorando seu apartamento. Ela nos solicitou algumas obras para demonstração. Chegando lá vi, nos portas retratos a fotografia de Rafael com a idade em que nos conhecemos. Bem, descobri que ela era a irmã dele e este foi um dos vínculos que foram se fortalecendo em nossa relação cultural.

Já na idade adulta, uma inesperada visita estava por acontecer. Rafael trazia entre os braços seu trabalho fotográfico, realizado durante um período de intercâmbio no exterior, de interessantes registros sobre cemitérios da Argentina, França e Brasil.

“A arquitetura e a simbologia presentes nos cemitérios provocam as mais diferentes sensações nas pessoas. Qual é a influência desta estética na subjetividade do imaginário humano? Na tentativa de instigar o espectador para um olhar menos dramático em relação à finitude, o fotógrafo exibe suas imagens e sua maneira de encarar a morte. Além disso, o ensaio busca mostrar os cemitérios não somente como moradia final para nossos restos mortais, mas também como um lugar de recordação, memória e paz que abriga um riquíssimo patrimônio artístico.”

Mas para estabelecer esta relação com mais vivacidade para mostra o apresentei à Maria Elízia Borges, que foi minha professora na Faculdade e também ministrou o mini-curso em Arte Funerária, no SBPC na UFG, em 2004, que participei. Maria Elízia é integrante da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC), cujo tema foi tese de seu doutorado. O terceiro encontro da Associação se deu em ritmo cultural com a coletiva para Estudos Cemiteriais, dos fotógrafos Rafael Castanheira e Samuel Vaz, na Galeria Potrich, em 2008.

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Rafael Castanheira, nesta época, era professor de fotografia na Universidade Salgado de Oliveira. Propus à ele uma experiência para estimular e incentivar seus alunos à profissão num registro das atrações do nosso Weekend Cultural, em 2009. Os alunos fotografaram as danças, performances, trabalhos artísticos e o artesanato exposto na feira cultural. Foi uma experiência construtiva para o coletivo e fortaleceu ainda mais nossos vínculos culturais.

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No ano passado, a mostra Pirarucu Z-32 foi o seu debut nas artes visuais. Pirarucu Z-32 foi o documentário produzido, durante mais de cinco anos (2006-2010) pelo fotógrafo sobre processos culturais e de conservação ambiental envolvidos no manejo de pesca do pirarucu e do tambaqui realizado pela Colônia de Pescadores Z-32 de Maraã, no Amazonas, área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. O evento contou ainda com uma mesa redonda no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e teve como objetivo reunir o fotógrafo, pescadores, pesquisadores e técnicos em pesca do Amazonas e de Goiás para discutir suas experiências e ações voltadas à conservação do pirarucu nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins e divulgar os resultados obtidos nestas duas regiões do País.

A exposição foi adquirida pelo Museu do Pará, em Belém e hoje o trabalho fotográfico de Rafael faz parte do acervo histórico dos registros culturais do país.

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Para não perder o ritmo Rafa faz a curadoria da mostra Fato Popular Olhar Incomum de três fotógrafos do Jornal O Popular: Renato Conde, Weimer Carvalho, Wildes Barbosa da Silva.

“Num momento de saturação visual em que não apenas o excesso, mas principalmente a homogeneidade das imagens diariamente produzidas e exibidas nos meios de comunicação reforçam antigos estereótipos e contribuem para distanciar, cada vez mais, o espectador da realidade, é preciso que o fotógrafo evite este espetáculo previsível que se tornou o fotojornalismo e busque novas visualidades que sensibilizem e provoquem reflexão no espectador”, observa Rafael Castanheira, que selecionou os trabalhos após um longo processo de pesquisa e análise das fotografias publicadas no jornal e presentes nos portfólios pessoais destes fotógrafos.

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A mostra acontece dia 11 de dezembro, às 20h, na Galeria Potrich.

Nem preciso ressaltar o quanto os vínculos culturais se estendem.

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Cypriano e a Capoeira

 

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Mantendo o foco na fotografia, mas sem sair do tema da arte contemporânea brasileira, vos apresento André Cypriano.

Meu primeiro contado com seu trabalho foi através de um cartão postal, numa viagem ao Rio de Janeiro em 2010, desses distribuídos em instituições culturais, cujo intento era o convite para mostra fotográfica sobre capoeira. Infelizmente não pude comparecer ao imperdível evento, porém, em 2013 achei um tesouro numa livraria do shopping que trazia textos dos jornalistas Rodrigo de Almeida e Letícia Pimenta, com imagens arrepiantes de André Cypriano. O nome do livro? C A P O E I R A !
O fotógrafo nasceu em São Paulo,Brasil, estudou fotografia em São Francisco, EUA e tem um vasto currículo de premiações, workshops além de projetos sociais e culturais.
Cypriano imortalizou imagens da capoeira como poucos conseguiram, além de registrar famosas entidades, como Mestres, discípulos e diversas situações sociais donde a capoeira se apresenta. Neste post a homenagem se restringirá mais à capoeira, visto que há grandes possibilidades de seu tombamento como Patrimônio da Humanidade nesta próxima quarta-feira(26/11), pela UNESCO, em Genebra.
Mais que um reconhecimento, este seria um grande passo para a real valorização da cultura brasileira, pois um dos pedidos no dossiê trata da possibilidade de a capoeira se tornar disciplina obrigatória nas escolas e nos encontros de troca de conhecimento.

Capoeira por definição vem do tupi guarani, mato abandonado, ou ainda o cesto feito de taquara, ou os capões e galinha que nele estavam, ou ainda os escravos que carregavam os cestos. Também há uma curiosidade medonha, sendo o Brasil o último país a assinar a Abolição da Escravatura, ainda resistiram portos clandestinos de escravos, como o Porto de Galinhas, em Pernambuco, cuja senha era “as galinhas d’Angola chegaram”. Há ainda um pássaro denominado odontophorus capuera spix, catalogado pelo francês Martius Von Spix, na Missão Científica Francesa, em 1816 e é conhecido como uru.

As curiosidades não param por aí. Uma manifestação cultural inventada em solo brasileiro por africanos, proibida por uma “elite branca” e denominada com língua de origem indígen elegeu seu ícone maior, o berimbau ou urucongo. Nele está a vida e a magia da roda, o som do jogo.

No livro há uma bela e breve citação do dramaturgo Dias Gomes, que sintetiza essa fugacidade que Cypriano soube tão bem captar:

“É jogo, é bailado, é disputa – simbiose perfeita de força e ritmo, poesia e agilidade, única em que os movimentos são comandados pela música e pelo canto. A submissão da força ao ritmo. Da violência à melodia. A sublimação dos antagonismos. Na capoeira os contedores não são adversários, são camaradas. Procuram genialmente dar visão artística de um combate. Acima de um espírito de competição, há um sentido de beleza. Capoerista é um artista e um atleta, um jogador e um poeta.”

Precisa dizer mais alguma coisa?!

Mestre João Pequeno #01 - - Andre Cypriano - CAPOEIRA

Mestre João Pequeno

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um capoeirista, um artista

CAPOEIRA

Mestre Camisa

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Capoeira na penitenciária, em Angra dos Reis

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Mestre Tabosa

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Jóias da fotografia brasileira

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A imagem do adereço em ouro simulando uma samambaia, da segunda edição do concurso de jóias da AngloGold Auditions Brasil, foi a principal inspiração para o texto a seguir. Além de remeter ao primitivo, mas principalmente à beleza natural das coisas, a imagem foi um resgate à dois expoentes da fotografia brasileira. Após conviver mais de 10 anos no universo da capoeira e pesquisar a cultura africana e indígena, assim como ter visitado a mostra Nos Caminhos Afro, fotografias de Pierre Verger no MAC, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, mês passado, foi inevitável e irresistível não sentir a presença de dois grandes artistas brasileiros movidos à essência prima da nossa formação étnica e a tão conflituosa desigualdade social.

O baiano Mario Cravo Neto (1947-2009) e Miguel Rio Branco, nascido nas Ilhas Canárias em 1946 e residente no Rio de Janeiro, têm entre outras tantas coisas em comum, a fotografia como suporte artístico. Ambos são filhos e netos de importantes personalidades da história brasileira, como também desenvolveram projetos relacionados à curtas-metragens, instalações e vídeo instalações.

Mas suas coincidências não param por aí…

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          Mario Cravo Neto                                                                                                                                       Miguel Rio Branco

Elegeram por devoção o registro de malevolências benignas da sociedade brasileira, escurecendo e iluminando peculiaridades de uma nação simplista em sua complexidade, pacífica em sua selvageria  e ora atrativa ora repulsiva em sua sexualidade.

É certo que Mario Cravo Neto mergulhou no universo dos orixás e da cultura baiana, experimentado rituais dionisíacos e capturando a alma dos Deuses em seus cliques espontâneos.

Miguel Rio Branco também experimenta a metafísica. Vive e trabalha o paradoxo da dura realidade associada à leveza da estética reproduzida por suas lentes.

Deixo aqui o trecho de Mario Cravo Filho, do livro O tigre do Dahomey – A serpente de Whydah, que de certa forma sintetiza um pouco a produção destas jóias da fotografia brasileira:

“Bárbaros delicados, sádicos e ternos. Temos luz e trevas nas nossas almas, temos banda d’água no nosso corpo e alma. Somos tessálicos e telúricos, metade peixe metade ave. Em momentos somos levantados pelo devaneio da luxúria, noutros nos afogamos de piedade e complacência. Temos cabeça de Velho ancestral e olhos de criança intergaláctica. Aqui ruminamos uma culinária impossível, temos sofreguidão e o entusiasmo erótico duma glutonice desenfreada.”

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Mario Cravo Neto

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Elevação Espiritual

Conheci a obra do italiano Guiseppe Penone em 2010, no Instituto Inhotim no período em que sua obra Elevazione acabara de ser instalada no parque. Elevazione [Elevação, 2001] pertence a uma etapa posterior de sua prática, na qual o artista tornara ainda mais complexo o diálogo com a natureza por meio do domínio de elaboradas técnicas de escultura, mas conservando a mesma dualidade entre o fenômeno artístico e o natural. A obra parte da modelagem e conseguinte fundição em bronze de uma castanheira centenária, à qual outras partes de árvores foram soldadas. A grande árvore de metal está presa ao chão por pés de aço e, plantadas ao seu lado, estão cinco outras árvores que, ao longo dos anos, irão crescer e se aproximar da escultura, como se a sustentassem e criassem um espaço arquitetônico para abrigá-la. Para a montagem em Inhotim, Penone optou por aumentar consideravelmente a distância da escultura do chão e por plantar cinco exemplares da espécie local de árvore Guaritá.

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A grandiosidade do trabalho do artista italiano, que iniciara na Arte Povera, nos fins  dos anos de 1960, só me tocou culturalmente quanto visitei a mostra CERRADO – uma janela para o planeta, no CCBB de Brasília, mês passado. Tanto a linguagem de Penone, quanto a mostra educativa sobre o Cerrado falavam da mesma coisa, da mesma idéia, do mesmo tema, numa mesma perspectiva crítica sobre a prioridade dos estudos e conhecimentos da natureza. Dividida em módulos, a cronologia, metodologia e as didáticas instalações nos transportavam numa viagem ao tempo, nos induzindo a ter de admitir que não sabemos nada, ou de grande parte do que significa este bioma.

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Na mesma medida o artista também incita o espectador a certos questionamentos. A natureza envolvida e viva como suporte de sua obra de arte. Lembrando que um dos principais preceitos da Arte Povera (1970) era o de romper com os processos industriais e revelar a sua critica ao empobrecimento de uma sociedade guiada pelo acumular de riquezas materiais. Depois de quase 50 anos a recíproca é verdadeira. Ainda vivemos à sombra do conhecimento sobre os benefícios das plantas, de suas características e utilidades. Sabemos onde mora a nossa celebridade preferida, mas não sabemos o nome científico da árvore do fruto que mais gostamos. Penso a arte como um termômetro da sociedade. Os artistas como o mercúrio que sobe e desce em escalas proporcionais à nossa enfermidade.

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Convém sempre fazer um check up, como nestes casos. Visitas constantes em instituições idôneas como a Bienal, o Inhotim, os CCBB’s, Museus de Arte Modernas e Contemporâneas são recursos inteligentes para quem quer sair dos casuais passeios à shoppings… Na minha opinião é como uma terapia, uma consulta médica e uma afronta ao caos da sociedade. Um desafio para um saber mais verdadeiro sobre nossa realidade. Doses homeopáticas de conhecimento humano! Mente sã, corpo sã!

Enfim, uma elevação espiritual!

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A cama

É verdade que nos últimos cinco anos venho me deliciando com filmes de animação infantil, mas não é só porque meus filhos adoram, eu confesso: gosto e reflito muito sobre eles. Tanto pela desmistificação das princesas como no caso de “Enrolados”, “Frozen”, “Valente”, tanto pelo ponto de vista crítico e bem agressivo que o roteiro e os personagem tomam ao correr do filme. Me recordei recentemente de “A Origem dos Guardiões”, baseado no livro de William Joyce, onde o enredo trata de uma ‘liga da justiça’ de entidades, que de uma forma ou outra pertencem ao nosso universo como o Papai Noel, o Coelho da Páscoa, a Fada do Dente, o Sandy-Man, o Jack Frost e o Bicho-Papão! Bem, mas o que vem ao caso é uma cena específica do filme, onde uma voz do inconsciente chama o protagonista a investigar o seu misterioso passado. No entanto ele tem de entrar num buraco negro onde se encontra a carcaça de uma cama de madeira, que ele termina de quebrar, desobstruindo o estrado que ainda restava, com seu cajado mágico. Penetrando o buraco ele descobre o que não deveria e assim toma consciência de suas responsabilidades e atitudes.

De fato, quem assiste ao filme pode ou não perceber estas singularidades, mas como meu envolvimento com a arte, em todas as suas expressões está intimamente ligado uma à outra, a relação que me veio de imediato foi com a obra do artista goiano, Luiz Mauro. Mesmo que ainda tímido no circuito virtual, Luiz Mauro é um veterano, premiado nacional e internacionalmente e frequenta seu atelier religiosamente, pintando sem pressa, sem holofotes ou selfies! Com poesia e informalidade, ele mesmo descreve sua função:

“Meu trabalho está conectado com os anseios, as dores, a solidão e o vazio que têm caracterizado a sociedade contemporânea. Na infância eu já manifestava interesse por arte e uma certa habilidade para o desenho. Mas foi somente aos 16 anos que tive contato com a pintura. E foi um contato muito envolvente. De imediato percebi que era o que eu queria fazer. A partir daí comecei a freqüentar ateliês e exposições. Contei com a paciência de muitos artistas, como Siron Franco, Carlos Sena, Omar Souto, Gomes de Souza, entre outros. Foi nessa idade que comecei a pintar.”

O artista veio da Geração 80, ligada à pintura. Desenvolveu uma linguagem contemporânea quando administrou a técnica das HQ’s nas telas em grande formato, com temas humorados e paradoxais. Luiz tem um trabalho expressivo e minucioso. Tem a paciência de um monge para dialogar com a tinta à óleo e seus vários experimentos, como as folhas de ouro e sua oxidação, a têmpera, a aquarela, o desenho em nanquim ou lápis 6B, além das aulas de arte que ministra em desenho e pintura. A cama é quase que a figura central de seus temas. Atualmente, para nossa felicidade, ele vem produzindo suas caminhas em esculturas delicadas, suaves, lindas, porém impactantes. Estas não são camas para sonhar, mas para pensar!

 Lugar onde há sonhos ou pesadelos, onde se deitam filhos ou se deleitam amores, onde debaixo vive o Bicho-Papão, ou se descobre uma grande invenção! A cama é onde passamos um terço de nossas vidas e nela acontecem viagens e miragens que só quem sonha sabe contar o que realmente são! Inevitavelmente é nela também que sofremos, nos repousamos durante um resguardo, nos refugiamos para um choro, um grito, um momento de solidão! Ela sim, é nossa maior amiga, pronta a nos receber, a nos aconchegar, a nos esfriar ou esquentar!

Obrigada, Luiz por estabelecer essas conexões invisíveis, pois querendo ou não o artista é o responsável pela ciência da arte! Cabe à quem a observa entrar no fundo do buraco negro para se descobrir!

luiz mauro cama

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